O sistema digestivo de muitos ruminantes é um eficiente produtor de metano. Notícia nada boa quando lembramos que o metano é mais potente que o gás carbônico na geração do efeito estufa, e que a quantidade de cabeças de gado pode ultrapassar a marca de 1,3 bilhão em todo o mundo.
Como minimizar este problema?
O Prof. Martyn em sua visita à Austrália foi até o parque de vida selvagem em Adelaide, e lá comenta que existem pesquisas que tentam entender o processo de digestão que ocorre em algumas espécies de cangurus (wallabee), conhecidos pela baixa produção de metano.
O segredo pode estar nas bactérias que participam da digestão e neste caso a resposta estaria na possível adaptação das bactérias de wallabees para que conseguissem sobreviver no sistema digestivo de um bovino.
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Metano, o popularmente conhecido como ´gás dos pântanos´, não tem cheiro. É completamente inodoro. Esta informação se faz importante no momento em que vemos as manchetes – já um tanto infrequentes – da ocasião de interdição de um shopping em São Paulo e de preocupações em um condomínio construído em local próximo, por causa de um iminente problema devido à presença de altas quantidades de gás metano no local.
Todo este problema ocorrido no shopping iniciou quando naquele local foi depositada uma grande quantidade de lixo. E é a presença deste material em decomposição, escondido sobre uma oportuna camada de terra, que causa a geração do metano. O gás metano neste caso tem a sua origem na degradação anaeróbia (em escassez de oxigênio) que ocorre pela presença de microorganismos no material em decomposição.
A confusão sobre o odor do metano provavelmente origina-se no fato do gás ser resultado de apodrecimento ou de processos de digestão em ruminantes. Ou então pela associação com o gás de cozinha (que não contém metano), que também originalmente não teria um cheiro forte, e recebe a adição de substâncias odorizantes, da classe das mercaptanas, para que sirva de alerta em caso de vazamento.
Efeito estufa
O metano não é um perigo somente por ser explosivo – acima de uma certa concentração no ar – mas por ser mais um dos responsáveis pelo aumento do efeito estufa na atmosfera terrestre. Se comparado com o famoso vilão gás carbônico, o metano tem um potencial 25 vezes maior em causar este efeito estufa.
E para piorar, grandes quantidades de metano estão armazenadas em material orgânico presente em regiões geladas do planeta e também presas em uma mistura de gelo e metano, no que é conhecido como hidratos de metano, que ocorrem naturalmente em lodo marinho em algumas regiões do oceano. Um aumento da temperatura global poderia causar a liberação deste metano que causaria mais aquecimento e mais liberação do gás. Um círculo vicioso com resultados preocupantes.
Queima de hidrato de metano (Fonte: Serviço Geológico dos Estados Unidos)
As quantidades totais desses hidratos de metano em todas reservas terrestres ainda são motivo de debates entre os especialistas. Sendo de difícil uso para fins comerciais, por estar misturado em lodo, o assunto é mais uma das preocupações relacionadas ao aquecimento global.
A tentativa de queima do metano (CH4) para evitar que vá para a atmosfera só amenizaria em parte o problema, já que ao ser queimado o gás produziria gás carbônico (CO2) e água (H2O). E lá estaríamos nós rumando ao efeito estufa pela presença do gás carbônico.
CH4 + 2O2 → CO2 + 2H2O
Outras fontes
Dito anteriormente que o metano poderia ser gerado em digestão de ruminantes, reservo o assunto para uma próxima oportunidade, na qual poderemos conhecer um pouco mais sobre o arroto e a flatulência em herbívoros.
OBS:Este texto foi escrito por Luís Roberto Brudna Holzle, editor do ´Em Síntese´, e publicado no jornal Folha do Sul Gaúcho, dia 07 de dezembro de 2011. A reprodução foi gentilmente autorizada pela equipe do jornal.
Sempre é bom lembrar que todos nós fomos crianças um dia, inclusive os cientistas. Prof. Martyn Poliakoff comenta que normalmente lembramos dos cientistas como senhores em fotografias sérias, mas a história é bem mais complexa.
Um utensílio feito por Ernest Rutherford mostra uma faceta pouco vista na vida de cientistas famosos.
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A equipe de filmagens da BBC registrou um fenômeno raro de formação de uma estalactite de gelo no fundo do mar da Antártida, em gravações realizadas para o documentário ´Frozen Planet´ (Planeta congelado, em tradução livre).
A BBC batizou o fenômeno de brinicle, uma união das palavras brine (salmoura) e icicle (estalactite de gelo). Que ocorre pela descida da água concentrada em sal resultante do congelamento na superfície, conduzindo um fluxo de frio que facilita o congelamento da água ao redor, formando o pilar de gelo.
A formação do pilar é da superfície para o fundo do oceano porque a água mais concentrada em sal é mais densa, e tende a fluir para o fundo, forçando a formação do pilar nesta direção.
O curioso é ver brinicle chegar ao fundo do oceano, congelando tudo que encontra pela frente, inclusive a vida marinha que vagava nas proximidades.
A filmagem foi feita em time-lapse, ou seja, a câmera ficou fixa e registrando a cena durante um longo tempo (de 5 a 6 horas), para depois o fenômeno ser exibido de forma acelerada.
Estruturas de aço ou ferro podem sofrer corrosão. Então porque alguém construiria uma gigantesca ponte metálica? E ainda mais em uma região marinha, com a presença de sal (NaCl) que acelera os processos de corrosão!
Prof. Martyn explica os motivos deste aparente paradoxo.
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Theodore Gray fez uma demonstração vitaminada do famoso barco que flutua sobre um ´líquido invisível´.
O segredo é a presença de hexafluoreto de enxofre (SF6) dentro da caixa. O SF6 possui uma elevada densidade e permanece por um longo tempo no fundo, formando uma camada de gás denso na qual o ´barco de alumínio´ pode flutuar.
Quem trabalha com química conhece o Viagra de uma forma especial, pelo nome de citrato de sildenafila, ou pela nomenclatura oficial IUPAC 5-{2-etoxi-5-[(4-metilpiperazina-1-il)sulfonil]fenil}-1-metil-3-propil-1,4-dihidro-7H-pirazolo[4,3-d]pirimidin-7-ona 2-hidroxipropano-1,2,3-tricarboxilato; ou ainda pela estrutura,
O Professor Martyn recebe uma encomenda especial enviada pelo colega Peter. Um frasco contendo 17,98 gramas de citrato de sildenafila puro, o princípio ativo do Viagra.
Com cuidado, Martyn resolve não abrir o frasco e explica o motivo; é para a segurança de todos. Além disto ele comenta sobre a ocasião da descoberta do medicamento, que como vários outros, teve os seus efeitos percebidos em cobaias que se comportavam de forma inesperada quando sob efeito da sildenafila.
Entenda também o motivo das famosas pílulas serem azuis, enquanto que o princípio ativo é apenas um simples pó branco.
Veja estas e outras informações no vídeo abaixo.
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A edição do mês de novembro (2011) da revista Scientific American Brasil trás como capa a interessante matéria sobre ´Os 10 grandes mistérios da química´, que são: - Como a vida começou?
A origem da vida além de ser uma questão para os biólogos, é tema de desafio para os químicos. - Como as moléculas se formam?
Ainda existem fronteiras a serem desbravadas no entendimento profundo das interações químicas. - Como o ambiente influi em nossos genes? - Como o cérebro pensa e como forma a memória?
As lacunas sobre o funcionamento da memória provavelmente serão preenchidas pela química. - Quantos elementos existem?
O questionamento é se existe um limite para a estabilidade de elementos com números atômicos cada vez maiores. - É possível construir computadores de carbono?
Seriam os grafenos, fulerenos e nanotubos apenas promessas? - Como extrair mais energia do Sol?
O segredo para responder esta pergunta estaria no equilíbrio entre a eficiência e o custo de produção. - Qual a melhor maneira de produzir biocombustíveis?
Novamente o desafio de otimização energética dos processos químicos. - Podemos vislumbrar novas formas de produzir medicamentos?
Por onde começar em uma pesquisa sobre produção de fármacos? Em uma abordagem direta ou ampla? - Podemos monitorar nossa própria química?
Até que ponto conseguiremos avançar na tecnologia de sensores?
Certamente a revista não responde tantas dúvidas, mas formular uma boa pergunta já é um grande avanço.
O salbutamol, presente em diversos medicamentos de alívio de crise asmática, é uma molécula que já salvou muitas vidas.
Comercializado no início da década de 70, os medicamentos a base de salbutamol melhoram a respiração e circulação de ar nos pulmões por meio da dilatação dos brônquios.
A estratégia de desenvolvimento do medicamento foi de alguma forma imitar a ação vasoconstritora da adrenalina. Para isto a estrutura química foi modificada até dar origem ao salbutamol.
Veja estas e outras informações no vídeo abaixo. Vídeo com legendas em português. Para ativar, clique em play e depois no botão CC para selecionar a legenda.
Veja mais informações sobre a molécula no banco de dados da ChemSpider (clique na imagem abaixo):
- Todo e qualquer experimento deve ser realizado por pessoas que possuem treinamento adequado para a realização dos mesmos.
- Todos os experimentos devem ser realizados com uso de equipamentos de proteção.
- As informações aqui apresentadas não foram submetidas à avaliação de pares, portanto verifique em fontes tradicionais antes de utilizá-las.