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Movimento perpétuo com refrigerante e cerveja?!

Primeiro assista o vídeo abaixo.

E aí?! Funciona?
Resposta simples e direta. Não!
Este sistema é conhecido como ‘Frasco de Robert Boyle’ ou então ‘Bacia capilar’. Que pela concepção original deveria ser uma ‘máquina’ de movimento perpétuo, causado pelo fluxo de líquido por meio do tubo inferior que se torna cada vez mais fino. O tubo quase capilar causaria uma subida do líquido pelo efeito da capilaridade, caindo então na fonte original.
Um dos motivos da impossibilidade é que um líquido tende a permanecer no mesmo nível, independente da forma do frasco. Dada aqui a ressalva para o caso de um líquido estático.
Mas, e o efeito da subida de um líquido ascensão capilar? Nesta suposição o mesmo princípio da subida do líquido pelo capilar impediria a sua saída pela ponta superior. Inutilizando o funcionamento do suposto movimento perpétuo.
No vídeo o refrigerante e a cerveja parecem funcionar muito bem! O que está acontecendo?
A primeira tentação é tentar explicar o movimento do refrigerante ou cerveja pela geração de bolhas dentro do tubo. Esse borbulhamento poderia ajudar no fluxo do líquido pelo sistema. Mesmo que isso funcionasse, o feito terminaria rapidamente após saída do gás do refrigerante ou cerveja. Bem pouco para um sistema que deseja ser perpétuo.
Na verdade o vídeo acima foi fraudado! O fluxo de líquido é ajudado por um pequeno motor escondido. Observe que na imagem abaixo, por volta de 2 minutos de vídeo, é possível visualizar o fio que alimenta o sistema de bombeamento.
falso sistema de movimento perpétuo

Veja no vídeo abaixo uma tentativa de repetir o experimento.

Texto escrito por Prof. Dr. Luís Roberto Brudna Holzle.

Movido a água

Uma dica fundamental no acompanhamento notícias é desconfiar de qualquer uma que diga que algo é movido a água. A informação pode ter até algum fundamento interessante, mas normalmente não é a água a responsável direta pelo funcionamento do sistema.
Recentemente apareceram notícias com essas características, de um aparelho que funcionaria movido a água. Em uma notícia o título era “Recarregue seus gadgets com água“. Impressionante! Mas apenas uma meia verdade!
No caso, a notícia comentava sobre o aparelho batizado de PowerTrekk, um equipamento produzido pela empresa myFC.
aparelho movido a NaSi
Vídeo promovendo o produto

O segredo do PowerTrekk está na ‘latinha’ (puck) que deve ser utilizada junto ao equipamento e que deve ser trocada a cada ciclo de uso. A ‘latinha’ na verdade contém NaSi (silicieto de sódio) que reage com a água , formando gás hidrogênio. E o hidrogênio é então aproveitado em uma célula a combustível para gerar energia.
2 NaSi + 5 H2O → 5 H2 + Na2Si2O5
E cada ‘latinha’ serve apenas para recarregar 2 smartphones ou 15 iPods, depois você precisa trocar e comprar mais junto ao fabricante.

Indico a leitura do texto
A economia baseada no hidrogênio

Texto escrito por Prof. Dr. Luís Roberto Brudna Holzle.

Chiclete com hélio

pessoa subindo com balão de goma
Percebi que em alguns locais pela internet está aparecendo um vídeo de alguns jovens que mascam chiclete com a boca cheia de hélio e depois flutuam com as bolas formadas.
Não precisa de muita explicação para dizer que o vídeo é FALSO.
Provavelmente é alguma propaganda (um vídeo viral) de alguma marca de chicletes.

Veja o vídeo falso.

Uma bola deste tamanho, com hélio, não teria condições de sustentar o peso de uma pessoa.

Veja quantos balões são necessários para levantar uma pessoa.

Não repita este tipo de experimento.

Texto escrito por Prof. Dr. Luís Roberto Brudna Holzle.

Congele água em um segundo com um chiclete

forma de gelo
Assista o vídeo abaixo.

A explicação:
Na verdade, o que ele usa não é água.
Provavelmente ele está usando uma solução supersaturada com algum sal. Na internet existem diversos vídeos explicando como supersaturar uma solução com acetato de sódio. Talvez tenham utilizado a mesma técnica.
Para supersaturar com acetato de sódio basta dissolvê-lo em grande quantidade em água quente. Ao resfriar lentamente a mistura qualquer perturbação iniciará o processo de cristalização do acetato de sódio em solução.

No vídeo falso a perturbação foi conseguida pela adição de um chiclete.

É uma propaganda da Trident.

Refrigerante que (não) brilha no escuro

Desde 2007 circula na internet um boato de uma receita para fazer com que um refrigerante brilhe no escuro.
A receita original incluía o refrigerante Mountain Dew, água oxigenada (H2O2) e bicarbonato de sódio (NaHCO3).

O vídeo com a receita original:.
.

A receita é falsa. Não funciona.

Talvez não podemos simplesmente descartar a possibilidade do vídeo ser verdadeiro. É necessário avaliar a validade do produto, a temperatura em que o experimento foi realizado. É preciso também lembrar que no Brasil não existe esta marca de refrigerante, e não podemos reproduzir o teste com fidelidade. Pela internet é possível verificar que algumas pessoas tentaram substituir por Sprite – sem sucesso.

A equipe no Snopes, um site famoso por desmascarar fraudes, reproduziu o experimento e não conseguiu nenhum brilho.

Agradecemos Claudia Chow por indicar o vídeo.

Informações pesquisadas por Dison Franco.

texto participante da blogagem coletiva luminosa

Velas na Hora do Planeta

Tentei participar da Hora do Planeta, mas não obtive muito sucesso em controlar o impulso de ligar alguma ou outra lâmpada (fluorescente) durante essa hora.
Fiquei um pouco decepcionado ao ver que algumas pessoas resolveram o ´problema´ da escuridão desta hora usando velas!
Opa! Velas poluem e não são nada eficientes!
Poluem? Mas quanto? Poluem mais do que uma lâmpada incandescente? Mais do que uma fluorescente compacta?
Velas são normalmente feitas de parafina, hidrocarbonetos de cadeia longa. Queimar uma vela significa emitir uma grande quantidade de carbono para a atmosfera.
Mas como quantificar e comparar as emissões de carbono resultantes de uma lâmpada acessa e uma vela?
É um cálculo relativamente complicado de se fazer, principalmente na quantidade de carbono emitido ao se usar uma hora uma lâmpada. O ponto vai depender de diversos fatores, incluindo o método de geração de energia, a eficiência de transporte nas linhas de transmissão, o tipo de lâmpada, etc.
Já no caso da vela a emissão de carbono pode ser neutra se a vela for de origem orgânica, como no caso de cera de abelha. Mas desconfio que em muitos casos a cera da vela será mesmo de origem de combustível fóssil.

O blog Physical Insights vez alguns cálculos e chegou ao resultado de uma maior emissão de carbono para as velas.
http://enochthered.wordpress.com/2008/03/31/earth-hour-candles-and-carbon/
Mas, novamente, ele fez diversas considerações sobre eficiências e luminosidade que podem não se aplicar em cada caso.

Alguém tem paciência para coletar todos os fatores envolvidos nestes cálculos e chegar a um resultado adequado para a realidade brasileira?

Resumindo, se deseja realizar um ato simbólico, evite as velas.

Michelle Bachelet, presidente do Chile, na noite da ´Hora do Planeta´.
bachelet velas planeta hora

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Química das velas – vídeo