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Velas na Hora do Planeta

Tentei participar da Hora do Planeta, mas não obtive muito sucesso em controlar o impulso de ligar alguma ou outra lâmpada (fluorescente) durante essa hora.
Fiquei um pouco decepcionado ao ver que algumas pessoas resolveram o ´problema´ da escuridão desta hora usando velas!
Opa! Velas poluem e não são nada eficientes!
Poluem? Mas quanto? Poluem mais do que uma lâmpada incandescente? Mais do que uma fluorescente compacta?
Velas são normalmente feitas de parafina, hidrocarbonetos de cadeia longa. Queimar uma vela significa emitir uma grande quantidade de carbono para a atmosfera.
Mas como quantificar e comparar as emissões de carbono resultantes de uma lâmpada acessa e uma vela?
É um cálculo relativamente complicado de se fazer, principalmente na quantidade de carbono emitido ao se usar uma hora uma lâmpada. O ponto vai depender de diversos fatores, incluindo o método de geração de energia, a eficiência de transporte nas linhas de transmissão, o tipo de lâmpada, etc.
Já no caso da vela a emissão de carbono pode ser neutra se a vela for de origem orgânica, como no caso de cera de abelha. Mas desconfio que em muitos casos a cera da vela será mesmo de origem de combustível fóssil.

O blog Physical Insights vez alguns cálculos e chegou ao resultado de uma maior emissão de carbono para as velas.
http://enochthered.wordpress.com/2008/03/31/earth-hour-candles-and-carbon/
Mas, novamente, ele fez diversas considerações sobre eficiências e luminosidade que podem não se aplicar em cada caso.

Alguém tem paciência para coletar todos os fatores envolvidos nestes cálculos e chegar a um resultado adequado para a realidade brasileira?

Resumindo, se deseja realizar um ato simbólico, evite as velas.

Michelle Bachelet, presidente do Chile, na noite da ´Hora do Planeta´.
bachelet velas planeta hora

Leia também
Química das velas – vídeo

Química e alquimia, aproximações históricas

química e alquimia
As pesquisadoras Ana Maria Alfonso-Goldfarb e Márcia Ferraz, recentemente descobriram nos arquivos da Royal Society, em Londres, evidências de que as idéias da alquimia, em especial a do solvente universal (Alkahest), transitaram pela ciência em épocas mais modernas do que antes se imaginava.

Esta interessante narrativa de investigação em documentos é contada em uma bela matéria na revista pesquisa FAPESP.
http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/08/22/nos-ombros-de-gigantes-m%C3%A1gicos/

Cervejas e pilhas no Mythbusters


No episódio 29 da terceira temporada os Caçadores de Mitos (Mythbusters) testeram qual é o método mais rápido para se gelar cerveja e, ainda, se uma antiga pilha seria mesmo viável em seu uso.

No teste da cerveja os resultados foram interessantes. Um mito afirma que seria possível gelar cerveja enterrando uma lata na areia, jogando gasolina sobre a areia e depois atear fogo.
O programa provou que esta estranha idéia não funciona. Para complementar os testes eles verificaram qual método seria mais rápido para gelar a cerveja:
– com um extintor de incêndio de CO2 (3,5 minutos)
– na geladeira (mais de 40 minutos)
– no freezer (25 minutos)
– em uma mistura de água e gelo (15 minutos)
– em uma mitura de água, gelo e sal (5 minutos)

O extintor foi o mais rápido, seguido da mistura de água, gelo e sal. O extintor resfria porque ao ser acionado a temperatura do CO2 cai bastante, devido a forte expansão do gás. Mas não é um método muito barato, você vai descarregar quase um extintor inteiro para gelar apenas algumas latas de cerveja. Já a mistura com sal resfria mais por causa do abaixamento de temperatura que se consegue com o sal (comum, de cozinha), isso é conhecido como efeito crioscópico.

O outro mito testado foi o da construção da pilha antiga. Existe um achado arqueológico, em 1936, que sugere que as pilhas já poderiam existir a centenas de anos antes de Cristo. Pela peça encontrada provavelmente estas baterias seriam construídas dentro de um jarro de terracota usando como eletrodos um pedaço de ferro e outro de cobre, e como eletrólito algum ácido comum na época, como por exemplo suco de frutas, vinagre…
Os testes de construção feitos no programa indicam que é possível se obter uma boa tensão com a ligação de diversas dessas baterias em conjunto. Foi até possível obter a galvanização de uma peça com a corrente fornecida. Os testes indicaram também que o conjunto poderia ser utilizado em algum tipo de acupuntura ou ritual religioso.

Leia mais sobre a pilha primitiva em
https://en.wikipedia.org/wiki/Baghdad_Battery

Mais sobre este episódio do Mythbusters em
https://en.wikipedia.org/wiki/Mythbusters_season_3#Episode_29_.E2.80.94_.22Cooling_a_Six_pack.22

Texto escrito por Prof. Dr. Luís Roberto Brudna Holzle ( luisbrudna@gmail.com ) – Universidade Federal do Pampa – Bagé.

Flúor – paranóia quase contagiosa

As paranóias são um pouco contagiosas. Se alguém te conta uma história estranha e cheia de elementos de conspiração, existe uma grande chance de você acreditar ou pelo menos ficar na dúvida sobre a veracidade, com aquela ´coceirinha´ para espalhar aquele grande segredo da conspiração mundial para que todos saibam sobre a tal verdade oculta… mesmo que seja tudo isso falso.

Vamos ver… bananas causam câncer de cotovelo! Você certamente está rindo da minha cara, mas e se a história inventada for mais estranha e cheia de detalhes obscuros?! É certo  que neste caso existe uma chance maior de acreditar que existe algo de verdade, mesmo sendo, no fundo, tão absurda quanto as bananas cancerígenas.

Aqui é que entra o perigo de tudo. E se eu te contar que algumas pessoas acreditam que o flúor adicionado na água é na verdade uma tentativa dos governos de facilitar a dominação sobre a população? Algum tipo de conspiração comunista sobre a população, para facilitar a manipulação das crianças, que se tornam fracas e mentalmente indefesas à doutrinação. Bom, espero que você não fique com a coceirinha de acreditar nesta história, pois é uma paranóia tipicamente americana, e não seria interessante importar este absurdo para a nossa cultura.

Fique tranquilo. Os níveis de flúor na água são seguros e adequados para se diminuir a incidência de cáries na população.

A fluoretação da água no Brasil teve seu início em 1985. O teor de flúor na água é definido de acordo com as condições climáticas (temperatura) de cada região, em função do consumo médio diário de água por pessoa. Para o estado de São Paulo o teor ideal de flúor é de 0,7 mg/l (miligramas por litro) podendo variar entre 0,6 a 0,8 mg/l. (Fonte: Sabesp)

Veja também
Vídeo com propriedades do elemento flúor

Enganando o bafômetro – Lenda urbana


Encontrei na comunidade ´Professores(as) de Química´ no Orkut uma mensagem (enviada por Luis Pereira) que indicaria como se enganar os bafômetros. [Ps: observação importante. A mensagem circula pela internet, a comunidade no Orkut não está promovendo a desinformação. Apenas alertaram sobre o problema]
A mensagem que circula pela internet é totalmente falsa. Não existe nenhuma veracidade científica no que é proposto. Ou seja, não funciona.

A mensagem:

Meu nome é Bruno Barreto Alvez sou formado em Química pela PUC de
Campinas e vou deixar uma dica para escapar do teste do bafometro desde
que você não esteje muito bêbado e não consiga seguir as dicas abaixo:
1) No final da balada seja no bar ou em aguma festa antes de sair peça ao garçom um copo descartavel com COCAL COLA com bastante gelo.
3) Chegou na BLITZ maior comandão (pare o carro com calma afinal voce não
esta tão bebado) tome um gole bom de COCA COLA garantindo que as pedras de
gelo menores fiquem em sua boca.
5) Finalmente o Bafômetro sopre devagar e no mesmo ritimo, mesmo que você
tenha tomado um monte mas se sente legal o teste vai dar negativo ou
abaixo dos 0,02 mg/l de sangue.
Isto acontece pelo fato de o Hidrogenio liberado pelo gelo anular a maior
parte da associação do alcool no ar do seu pulmão, esta dica é velha e foi
descoberta por estudantes de Quimica Americanos que tiveram que enfrentar
o mesmo tipo de punição nos anos 70 e 80. Agora no EUA não se usa mais o
bafometro e sim o teste da faixa que ai não tem estudante, professor, PHD
que de jeito.
A COCA COLA para que serve? poxa você não vai querer ser parado com um
copo de WISKY com gelo então bota qualquer refrigerante menos agua pois demora mais para retirar o Hidrogenio do gelo.
Ps: Em Campinas ja passamos por 03 blitz usando este método, e lembrando
que esta dica não adianta no caso de amostra de sangue.

Provavelmente este suposto formado em química é um personagem inventado.
O programa ´Mythbusters – Caçadores de Mitos” demonstrou, no episódio 6 da primeira temporada, que não existe nenhum método caseiro para se enganar o bafômetro.
Perceba também que a lenda comenta em ´hidrogênio liberado pelo gêlo´. Não existe tal liberação de hidrogênio.

Texto escrito por Prof. Dr. Luís Roberto Brudna Holzle ( luisbrudna@gmail.com ) – Universidade Federal do Pampa – Bagé.