Neste episódio, exploramos o uso do chumbo na fabricação de tintas — um material que por muito tempo foi valorizado por sua durabilidade e intensidade de cor. Mas junto com esses benefícios, surgiram riscos importantes à saúde, especialmente em ambientes antigos.
O ouro usado no seu celular pode ter começado sua jornada há quase 2 mil anos, em minas exploradas pelos romanos. Neste episódio curto, descubra como um metal praticamente eterno consegue atravessar civilizações, moedas, impérios e tecnologias até chegar ao seu bolso.
Pesquisadores criaram um mapa de isótopos de estrôncio capaz de indicar de onde vieram restos humanos, animais e materiais, abrindo caminhos para a arqueologia e a ciência forense.
Baseado nesta notícia: New strontium isotope map of Sub-Saharan Africa is a powerful tool for archaeology, forensics, and wildlife conservation https://www.eurekalert.org/news-releases/1069611
O nitrogênio é um dos nutrientes mais importantes para o crescimento das plantas. Sem ele, o milho e outras plantações crescem pouco, as folhas perdem vigor e a produtividade cai. Mas no deserto costeiro do Peru antigo, uma sociedade encontrou uma fonte rica em compostos nitrogenados, o guano, ou seja, o excremento de aves marinhas. Um novo estudo publicado na revista PLOS One mostrou que o reino Chincha, no sul do Peru, pode ter se expandido graças ao uso sistemático desse fertilizante natural, muito antes do domínio dos incas e da chegada dos espanhóis. Os Chincha floresceram principalmente entre os anos 1000 e 1400 da era comum. Em uma região árida, eles conseguiram transformar vales costeiros em áreas agrícolas produtivas, especialmente para o cultivo de milho. E a chave para isso parece ter sido justamente o nitrogênio concentrado no guano. Para descobrir isso, os pesquisadores analisaram fragmentos antigos de espigas de milho encontrados em tumbas no vale de Chincha. Esses restos vegetais preservam assinaturas químicas na forma de isótopos de carbono, nitrogênio e enxofre. E o resultado foi muito claro. 13 amostras de milho apresentaram valores de nitrogênio extremamente altos em níveis que não poderiam ser explicados por processos naturais ou por fertilizantes terrestres comuns. Algumas chegaram a valores tão elevados que indicam uso intenso de recursos marinhos. Os cientistas também analisaram cabelos humanos e restos de aves, como cormorões, atobás e pelicanos, grandes produtoras de guano. Assim, conseguiram comparar as assinaturas químicas e confirmar que o nitrogênio que alimentava as plantações vinha do mar. Esse detalhe muda bastante a forma como entendemos os Chincha. O guano não era apenas um adubo, ele pode ter sido um motor de transformação social. Com mais nitrogênio disponível, era possível produzir mais milho, sustentar uma população de pelo menos 30.000 pessoas e manter uma economia complexa com agricultores e comerciantes. Mas havia riscos; nitrogênio demais pode queimar as plantas, desequilibrar o solo e prejudicar a produção. A extração do guano também podia afetar trabalhadores e animais costeiros. Por isso, esse estudo mostra algo maior. Povos indígenas já desenvolviam formas sofisticadas de manejar nutrientes e adaptar a agricultura a ambientes difíceis. No caso dos Chincha, o nitrogênio vindo das aves marinhas ajudou a transformar uma paisagem desértica em uma região agrícola poderosa.
O mundo possui uma enorme quantidade de poços de petróleo e gás natural abandonados. Em muitos desses poços o metano está escapando, aumentando o impacto do efeito estufa na atmosfera terrestre.
Nos Estados Unidos a estimativa é de que lá existam mais de 3,2 milhões de poços de petróleo abandonados. Este abandono costuma ocorrer quando o poço não produz mais uma quantidade comercialmente viável de petróleo.
A ‘Well Done Foundation’ ( https://welldonefoundation.com/ ) é uma das fundações que atua no fechamento e selagem destes poços abandonados que estão vazando metano.
Veja o vídeo abaixo que mostra a atuação desta fundação.
Perceba que no vídeo aparece um poço com o aviso “Cuidado, H2S pode estar presente” – este aviso existe porque o poço pode estar vazando também o gás sulfídrico (H2S) que é muito tóxico.
Para onde quer que olhemos, as produções cinematográficas nos mostram o mundo dos antigos romanos desprovido de cores e cheio de estátuas e edifícios brancos e bege. Esse foi o caso em “Ben Hur” (1959) de William Wyler ou “Gladiator” (2000) de Ridley Scott. Certamente, esta forma de mostrar a civilização romana provou seu poder e papel no então mundo mediterrâneo.
No entanto, a realidade é bem diferente, o que é confirmado por pesquisas de cientistas. A maioria (ou talvez todos) os edifícios públicos, estátuas, monumentos, etc. brilhavam com inúmeras cores, que como resultado do vento, sol, areia e tempo perderam sua cor e desbotaram.
Para verificar esse fato, você pode fazer um experimento. Basta brilhar com a luz ultravioleta sobre o monumento em um ângulo tal que a luz corre quase paralela à superfície do objeto. Desta forma, você pode descobrir cores invisíveis.
As obras dos escultores foram devidamente pintadas quando as estátuas de bronze tinham partes relevantes do corpo, como olhos, lábios, dentes feitos de outros materiais coloridos: marfim, cobre, prata ou âmbar. As estátuas também eram feitas de ouro, prata e marfim. Os romanos também usaram mármore colorido em seu trabalho.
Os corantes eram principalmente de origem inorgânica e originados de minerais ou outros produtos do solo. Abaixo estão alguns dos materiais a partir dos quais as cores foram obtidas:
Cinábrio, sulfeto de mercúrio – um pigmento mineral vermelho popular e caro. Ocre – de cor terrosa, contendo óxido de ferro, ocorre em cores que vão do laranja ao marrom-avermelhado. Minium de chumbo – também conhecida como “minium”, era vermelho. Alizarin – corante orgânico rosa-vermelho. Orpimento e realgar – minerais usados para produzir pigmentos amarelos. Azurita – um mineral de cobre e uma fonte de azul profundo. Ele pode se transformar em uma sombra esverdeada pelo intemperismo. Silicato de cálcio e cobre – o mais antigo pigmento sintético conhecido. Foi a origem da popular cor azul egípcia. Malaquita, carbonato de cobre – verde. Osso carbonizado – a cor foi obtida por meio da carbonização. Cerusita, carbonato de chumbo – branco. Pesquisadores modernos ainda estão pesquisando e sugerindo como poderiam ser os monumentos que conhecemos no mundo antigo.
Octavian Augustus (em cores)Cabeça de calígula
O texto acima foi traduzido por Prof. Dr. Luís Roberto Brudna Holzle do original Ancient statues were colorful, com a gentil autorização de Jakub Jasiński, detentor dos direitos autorais.
Gladiadores romanos usavam como bebida energética provavelmente uma bebida feita de vinagre, água e cinzas de planta – esta foi a conclusão de cientistas que estudaram os restos mortais de guerreiros de Éfeso (moderna Turquia), descobertos em 1933.
Analisando os restos mortais de gladiadores (22 corpos preservados), os cientistas da Áustria notaram que os ossos continham quase duas vezes mais estrôncio; em comparação com outros habitantes da cidade (31 corpos sobreviventes) que seguiram uma dieta semelhante [1]. Com base nesses estudos, havia a suspeita de que talvez os gladiadores bebessem uma bebida especial. O cinza era usado na cozinha pelos romanos para lhe dar um sabor “defumado” e para fins de saúde.
Acreditava-se que a bebida reduzia a dor, aumentava a imunidade, regenerava o corpo e reconstruía os ossos [2]. Esse tipo de bebida é mencionado por Plínio, o Velho, em sua obra “História Natural”, que sugeria que os gladiadores a bebiam logo após a luta.
Sua Lareira deve ser sua caixa de remédios. Beba lixívia feita de suas cinzas e você ficará curado Pode-se ver como os gladiadores depois de um combate são ajudados bebendo isso.
Plínio, o Velho, História Natural, XXXVI.203
Notas de rodapé
[1] A dieta dos romanos não era rica em proteínas. Os gladiadores, como outros residentes, comiam muitos produtos de grãos (principalmente cevada e trigo) e pouca carne. Fava também era comida. Devido ao fato de que os gladiadores se baseavam principalmente na dieta de cevada, eles eram chamados de hordearii – que significa “comedores de cevada”.
[2]Hoje em dia, com muito esforço, ingerimos cálcio e magnésio.
Nota do tradutor: Não tente preparar uma bebida semelhante. A cinza pode conter substâncias tóxicas!
O texto acima foi traduzido por Prof. Dr. Luís Roberto Brudna Holzle do original What were gladiators drinking?, com a gentil autorização de Jakub Jasiński, detentor dos direitos autorais.
ATENÇÃO! Leia sempre com cuidado as respostas. Pense sobre a qualidade da explicação, a abrangência do raciocínio e seja cuidadoso ao aceitar as analogias apresentadas. Não tire conclusões apenas lendo a pergunta! Leia também a resposta.