Categoria: História

História da química – Juergen H. Maar

livro historia quimica capa
O excelente livro “História da Química – Parte I – dos Primórdios a Lavoisier” foi publicado em edição ampliada e revisada, com inclusão de novos assuntos, 946 páginas e 121 ilustrações (ISBN 978-85-60826-26-1).

Sobre o segundo volume – de Lavoisier ao Sistema Periódico – Jurgen Maar informa que está pronto e está sendo editorado, para uma publicação se possível em maio ou em junho de 2009, ele afirma que tudo depende de entendimentos com uma editora. O livro terá cerca de 1000 páginas e aproximadamente 150 ilustrações, e aborda em sete longos capítulos (não de forma rigorosamente cronológica, é claro), a evolução da Química de Lavoisier à Tabela Periódica de Mendeleiev : a Química do Período de Transição (de Lavoisier até a Teoria Atômica de Dalton), a química quantitativa e a nova Teoria Atômica, o período de Berzelius com a discussão dos grandes problemas químicos da época, os primórdios da Química Orgânica, a evolução da Química Inorgânica, a Química Orgânica até 1870, a evolução de um sistema periódico. Como no volume anterior, ele informa que há uma preocupação com a inserção dos assuntos discutidos na história da ciência como um todo, com o contexto histórico e cultural, bem como com aspectos filosóficos inerentes aos diferentes temas.

O terceiro volume, que pretende encerrar a série “História da Química”, está como em fase de manuscrito. Maar afirma que prefere manuscrito, pois ele acha que a melhor maneira de apresentar e discutir todo o vasto material é mesmo um manuscrito, posteriormente digitado para as necessárias correções, acréscimos e atualizações. Por enquanto estão concluídos (em termos) os capítulos sobre Nascimento e Evolução da Química Analítica, e Nascimento e Evolução da Físico-Química, bem como notas sobre a química orgânica desde van’t Hoff e Le Bel, ao todo umas 500 páginas. Será um trabalho ainda demorado, a redação de cada volume exigiu dois anos e meio, a deste último certamente será tão ou mais demorada.

Cervejas e pilhas no Mythbusters


No episódio 29 da terceira temporada os Caçadores de Mitos (Mythbusters) testeram qual é o método mais rápido para se gelar cerveja e, ainda, se uma antiga pilha seria mesmo viável em seu uso.

No teste da cerveja os resultados foram interessantes. Um mito afirma que seria possível gelar cerveja enterrando uma lata na areia, jogando gasolina sobre a areia e depois atear fogo.
O programa provou que esta estranha idéia não funciona. Para complementar os testes eles verificaram qual método seria mais rápido para gelar a cerveja:
– com um extintor de incêndio de CO2 (3,5 minutos)
– na geladeira (mais de 40 minutos)
– no freezer (25 minutos)
– em uma mistura de água e gelo (15 minutos)
– em uma mitura de água, gelo e sal (5 minutos)

O extintor foi o mais rápido, seguido da mistura de água, gelo e sal. O extintor resfria porque ao ser acionado a temperatura do CO2 cai bastante, devido a forte expansão do gás. Mas não é um método muito barato, você vai descarregar quase um extintor inteiro para gelar apenas algumas latas de cerveja. Já a mistura com sal resfria mais por causa do abaixamento de temperatura que se consegue com o sal (comum, de cozinha), isso é conhecido como efeito crioscópico.

O outro mito testado foi o da construção da pilha antiga. Existe um achado arqueológico, em 1936, que sugere que as pilhas já poderiam existir a centenas de anos antes de Cristo. Pela peça encontrada provavelmente estas baterias seriam construídas dentro de um jarro de terracota usando como eletrodos um pedaço de ferro e outro de cobre, e como eletrólito algum ácido comum na época, como por exemplo suco de frutas, vinagre…
Os testes de construção feitos no programa indicam que é possível se obter uma boa tensão com a ligação de diversas dessas baterias em conjunto. Foi até possível obter a galvanização de uma peça com a corrente fornecida. Os testes indicaram também que o conjunto poderia ser utilizado em algum tipo de acupuntura ou ritual religioso.

Leia mais sobre a pilha primitiva em
https://en.wikipedia.org/wiki/Baghdad_Battery

Mais sobre este episódio do Mythbusters em
https://en.wikipedia.org/wiki/Mythbusters_season_3#Episode_29_.E2.80.94_.22Cooling_a_Six_pack.22

Texto escrito por Prof. Dr. Luís Roberto Brudna Holzle ( luisbrudna@gmail.com ) – Universidade Federal do Pampa – Bagé.

Química no Dia das Bruxas

abóbora halloween
Uma molécula  de cera (de vela) tem mais energia que uma molécula de TNT! Como?! É, só que a energia na molécula da cera é liberada lentamente e não de forma explosiva no TNT. Além disso, no TNT temos oxigênio disponível na própria estrutura do explosivo, aumentando ainda mais a velocidade com que a reação pode acontecer, o que não é o caso de uma vela.

Existe tanta química em uma vela que até o famoso cientista Michael Faraday resolveu usá-la como ponto de partida para contar histórias sobre a química. Ele fez isso em suas clássicas palestras, transformadas em livro em 1861, com título de ´A História Química De Uma Vela”.

livro de michael faraday

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Assista mais vídeos traduzidos em
https://www.youtube.com/view_play_list?p=BFA8BBE552D8FF65

Texto escrito por Prof. Dr. Luís Roberto Brudna Holzle ( luisbrudna@gmail.com ) – Universidade Federal do Pampa – Bagé.

Resenha – Os Botões de Napoleão


Os Botões de Napoleão
As 17 moléculas que mudaram a história

Penny LeCouteur e Jay Burreson
344 páginas

Os Botões de Napoleão é um livro fascinante. Traz para o centro de foco a química como um fator importante em diversos momento da história da humanidade.

O título é inspirado em uma das histórias narradas no livro. Será que o fracasso da campanha de Napoleão na Rússia, em 1812, poderia ser explicado por algo tão insignificante quanto um botão? Os botões das fardas dos regimentos de Napoleão eram feitos de uma liga de estanho, e esta quando exposta a baixas temperaturas tende a se esfarelar, deixando os soldados mais expostos ao frio.

O subtítulo do livro fala em 17 moléculas, mas na verdade a variedade é maior, sendo que a divisão em capítulos é feita com base na proximidade de efeitos químicos e consequências históricas dos compostos.

Com poucos erros conceituais e de tradução, o livro destaca-se por cobrir uma inexplicável ausência de livros de divulgação da ciência que têm a química como tema principal.

As informações serão melhor aproveitadas por leitores que têm um mínimo conhecimento em química orgânica, mas nada impede que leigos façam um bom proveito da magn[ifica coleção de informações. O autor toma o cuidado de tecer explicações detalhadas e agradáveis para aqueles que não têm nenhum conhecimento em química. Os diagramas são limpos, e a leitura é rápida e leve.

Os capítulos:
1. Pimenta, noz-moscada e cravo-da-índia
2. Ácido ascórbico
3. Glicose
4. Celulose
5. Compostos nitrados
6. Seda e nylon
7. Fenol
8. Isopreno
9. Corantes
10. Remédios milagrosos
11. A pílula
12. Moléculas de bruxaria
13. Morfina, nicotina e cafeína
14. Ácido oléico
15. Sal
16. Compostos clorocarbônicos
17. Moléculas versus malária

Texto escrito por Prof. Dr. Luís Roberto Brudna Holzle ( luisbrudna@gmail.com ). Universidade Federal do Pampa (Bagé).

Dica! Leia o texto:
Além da Primavera Silenciosa: uma história alternativa do DDT

Hélio – próximo ao zero absoluto


As preocupações com as reservas de petróleo estão todo o dia na mídia e são válidas. Menos popular, e igualmente preocupante, é a possibilidade da diminuição dos estoques de hélio disponíveis em escala industrial. Ou então, qualquer alteração significativa no preço do produto.

A falta deste gás inerte traria significativas dificuldades para o desenvolvimento tecnológico e manutenção do funciomamento de diversos equipamentos. Os usos variam de refrigeração de aparelhos de ressonância magnética até simples balões de festa.

Em pesquisa científica o hélio tem uma aplicação ainda mais crucial. Por apresentar uma temperatura de ebulição de 2,4K (−268.93 °C) o seu valor está no alto poder de refrigeração, um fator crucial principalmente em aplicações que demandam a existência da supercondutividade em algum aparato.

Por possuir uma temperatura de liquefação extremamente baixa o gás foi o último a ser liquefeito, e a tarefa foi conseguida por Heike Kamerlingh Onnes, em 1908, em uma acirrada competição com James Dewar. Esta história é narrada no excelente documentário Absolute Zero, da BBC.

Qualquer método de produção artificial de hélio não asseguraria o mínimo das exigências de consumo atual.
O preço do gás dobrou nos últimos 5 anos e a demanda crescente causou preocupação na comunidade científica americana. A decisão de venda de reservas estratégicas causou reação resultando em um relatório da National Academy of Sciences com a alertas sobre os níveis de estoque nos EUA. Outras fontes de informação alegam que a falta total de hélio no planeta não seria ponto de preocupação para um futuro próximo, e que reservas naturais em diversas partes do mundo poderiam garantir um abastecimento constante por muitos anos.

A imagem que ilustra este artigo contém um curioso alerta: “Inalar hélio para alterar a voz pode ser fatal e não deve ser permitida”. O aviso existe porque algumas pessoas gostam de brincar com o hélio, pois a inalação resulta em uma voz modificada por alguns segundos, ficando parecida com a voz do Pato Donald. O cilindro indica também que o gás é de alta pureza. Nesta caso seria um desperdício de dinheiro usar para alguma brincadeira boba e perigosa.

Texto escrito por Prof. Dr. Luís Roberto Brudna Holzle ( luisbrudna@gmail.com ) – Universidade Federal do Pampa – Bagé.