Mês: novembro 2013

Reação do cão que late

chama percorrendo tubo de vidro
Uma reação entre dois gases, o dissulfeto de carbono (CS2) e o óxido nitroso (N2O), quando realizada em um longo tubo, produz um forte brilho e um som que lembra muito um latido de um cachorro.
A equipe do Periodic Videos fez, talvez, a primeira filmagem desta reação com uma câmera super rápida, sendo possível observar com detalhes o que ocorre durante o percorrer da reação pelo tubo.
Para espanto dos químicos, é possível ver que a reação tem uma espécie de oscilação pelo tubo, que ocorre cada vez mais rápido à medida que vai ao fundo. O Professor Martyn e seus colegas deduzem que isso ocorre pela presença da onda de choque causada pela rapidez com que a reação ocorre, percorrendo então o recipiente em um movimento parecido com o que uma bola de borracha picando.

A demonstração guarda alguns perigos, e só deve ser realizada por pessoal especializado e com uso de equipamentos de proteção adequados. Um alerta disso é a descrição presente no artigo “Taming the Barking Dog”, da revista Journal of Chemical Education de maio de 2006, que relata um acidente ocorrido durante uma dessas demonstrações:

O acidente [resultante da reação ‘Cão que late’] teria sido fatal para Liebig se a sua caixa de rapé não tivesse impedido uma grande lasca de vidro de penetrar sua artéria femoral.

Liebig, citado no trecho acima, é Justus von Liebig, um famoso químico alemão que viveu entre 1803 e 1873.

Vídeo com legendas em português. Ative pelo YouTube.

Texto escrito por Prof. Dr. Luís Roberto Brudna Holzle.

Bolhas do refrigerante em um copo

refrigerante sabor laranja em bequer com destaque para as bolhas
Perceba que em uma área do vidro existe uma maior formação de bolhas de CO2 do gás do refrigerante. Isto ocorreu porque esta parte do vidro foi recoberta propositalmente com margarina – para simular uma superfície engordurada. A presença da margarina facilitou a formação preferencial de bolhas nesta parte do vidro.
Esta pode ser uma das formas de se identificar se a superfície interna de um copo possui alguma irregularidade ou sujeira depositada.
A dica deve ser utilizada com cuidado, pois nem sempre a formação de bolhas em uma área específica significa que o copo está sujo, podendo ser originada por outro motivo, não sendo um sinal de falta de higiene.
Fenômeno semelhante pode ser observado em uma panela com água fervente, na qual as bolhas formarão preferencialmente em irregularidades no interior da panela.
Ainda, a brincadeira de colocar mentos na coca cola também tem relação com irregularidades presentes na superfície do mentos, leia mais sobre isso em ‘Mentos e coca cola’.

Texto escrito por Prof. Dr. Luís Roberto Brudna Holzle.

Imagem em licença Creative Commons (by-nc-sa).
by nc sa

Copo de isopor e acetona

fundo de um copo de cafe com furos por causa da adição de acetona
É possível destruir a estrutura do isopor (poliestireno expandido) com a adição de acetona (ou solvente semelhante, como a gasolina por exemplo). Neste caso a acetona desestabilizou a estrutura do poliestireno facilitando a saída da grande quantidade de bolhas de ar que o material apresenta, diminuindo muito o seu volume e causando essa sensação de ‘desmanchar’.
É importante salientar que o produto vendido em farmácias com o nome de acetona não contém a substância acetona em quantidades suficientes para se obter este efeito.
A venda de acetona em alta pureza é controlada para evitar seu uso no refino de drogas.

Veja também
Isopor em acetona

Texto escrito por Prof. Dr. Luís Roberto Brudna Holzle.

Imagem em licença Creative Commons (by-nc-sa).
by nc sa

Ascensão capilar

tubo capilar dentro de um bequer com liquido vermelho
A imagem mostra o efeito da capilaridade.
Ao introduzirmos um tubo capilar em um líquido observamos ele subir através do tubo, isso ocorre pois as moléculas do líquido, que estão sobre força de coesão (atração entre as moléculas), vão ser atraídas pelas moléculas da parede do tubo, fazendo com que o líquido suba através do tubo capilar. Essa atração que acontece entre as moléculas diferentes recebe o nome de adesão.
Os tubos capilares levam esse nome por serem semelhantes a um fio de cabelo, nestes tubos ocorre o fenômeno de capilaridade, dependendo da sua utilização ou aplicação eles podem ser feitos de diferentes materiais como cobre, vidro, ligas de metal, etc. Quanto mais fino for o tubo maior é o efeito.
Levando em consideração o caso em que o tubo capilar é de vidro e o líquido é a água, a força de adesão entre as superfícies da água e do vidro é maior que a força de coesão das moléculas de água, então a água vai aderir ao tubo capilar formando uma curvatura côncava, esta curvatura em virtude da tensão superficial suporta que a água do tubo fique acima do nível existente no recipiente.
Já no caso em que o líquido é o mercúrio, a força de coesão entre as moléculas de mercúrio é superior a força de adesão entre o vidro e o mercúrio, sendo assim o mercúrio não vai aderir ao tubo de vidro, formando uma curvatura convexa, esta curvatura em virtude da tensão superficial é responsável pelo líquido descer no tubo.
A fotografia foi realizada com água colorizada com corante alimentício, por isso ocorreu uma ascensão capilar. Se fosse com mercúrio teríamos o efeito contrário.

Texto escrito por Andressa Simões e Lígia Bartmer.

Imagem em licença Creative Commons (by-nc-sa).
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